segunda-feira, 18 de outubro de 2010

CAPÍTULO 1 — Boa Vizinhança.

Até hoje eu me pergunto se coincidências, destino, não existe. Passava pela rua da minha casa, carregando duas sacolas de mercado com os ingredientes da macarronada que a minha mãe desejava fazer. Era incrível como as pessoas de lá pareciam envelhecer rápido, talvez fosse por grande parte das pessoas que eu via na frente de suas casas, eram as senhoras que ali moravam há anos. Eram casas simples, algumas com pinturas desgastadas, Mrs. Schemitz tinha pintado a casa no ano retrasado de rosa e, já estava desbotado. Seus jardins eram perfumados, não era por pouco, aposentadorias gordas e netos afastados, o que lhes restavam além do marido surdo, os felinos que adotavam das ruas e seu jardim? Nada. Poucos eram as famílias que tivessem filhos da minha idade ali, talvez fosse essa a razão pela rua ser calma, ou, simplesmente que os adolescentes da minha faixa de idade que moravam ali, mal ficavam parados em suas casas, saíam de manhã para o colégio e voltavam tarde da noite. O céu estava em tons azulados, os que sempre me faziam sorrir. Chegando perto de minha casa, comecei a me perguntar a quanto tempo nossos vizinhos moravam ali ao lado. Até meus três anos, ali era uma casa de madeira humilde mas bem cuidada de cor clara; poucos podiam acreditar, mas carrego em minha mente imagens, pequenas lembranças, de quando eu tinha esta idade — como a única viagem que tive na minha vida de avião — mas eram embaçadas. Raras fotos se viam um pequeno pedaço que fosse daquela casa. A cada segundo que as engrenagens da minha mente se movimentavam com a pergunta, ficava mais curiosa. Antes de correr para dentro de casa, resolvi voltar para frente da casa dos meus vizinhos. Era de concreto. Branca. Com detalhes pintados de bege. Flores nas duas janelas da frente do primeiro andar. As cortinas raramente eram abertas, a família Smith era o que muitos gostavam de dizer sobre quem morava em Londres: fechados, frios e esnobes. Apesar de que, quando pegos no flagra com alguma janela aberta, — qualquer uma da casa ou, até mesmo de um dos carros — davam-nos um sorriso e nos acenavam. No primeiro ano que chegaram, iam a algumas festinhas que as senhoras de nossa rua montavam. Mas o tempo passou e, se fecharam em seu pequeno universo. Suspirei. Meus braços teriam começado a doer de segurar as sacolas.

Tentativa de Prólogo, vol. dois


Eu nunca realmente consegui me imaginar numa situação daquelas. Que garota iria? Meu nome é Mary-Ann, tenho dezessete anos, moro com os meus pais e estudo em um dos melhores colégios de Londres. Sou hacker. E, atualmente trabalho para três assassinos de aluguel. Como isso foi acontecer? Não sei, virei hacker aos treze anos e conseguia desde os quinze a invadir sistemas de segurança de lojas e mercados, atualmente, invado de grandes empresas. Talvez fosse a minha paixão por romances policiais, o cansaço de sempre se esforçar para ser a moçinha, a enorme atração que sentia pelo meu mais novo vizinho. A única coisa que posso dizer com absoluta certeza, é que, na vida real não estamos cercados de moçinhos e vilões. Os dois estão misturados. E, muitas vezes, os que mais fingem serem os moçinhos, são os piores.

terça-feira, 5 de outubro de 2010





Nunca cheguei a pensar se viveria o bastante para formar uma família - também nunca tive tempo para refletir sobre isto - ri me lembrando da minha mãe me olhando severamente me dizendo que tempo possuíamos para tudo, era somente uma questão de escolher o que preferíamos fazer. Meus joelhos e mãos ardiam como nunca, mas eram aliviados pelo vento frio londrino sentia cada pó e substância carregada nele tocando a minha pele, não ligava para aquilo, não podia ligar.

Corra Mary, o máximo que puder.

Você está sozinha nesta.

Respire, respire mais uma vez.

Meus pés se pouparam do grande serviço de correr durante a noite inteira somente deixando por alguns segundos um deles cruzar a frente do outro, caí novamente em um movimento brusco sentindo o chão frio esfriar meu corpo e o pó de serragem a me esconder. Ele estava se aproximando. Venha logo, eu não agüento mais respirar serragem e cheiro de rato. Estava enganando a mim mesma ao pensar que alguém iria notar a minha ausência, ninguém iria. Um sorriso de liberdade me veio nos lábios, e Here Comes The Sun da banda The Beatles em meus ouvidos.

Está na hora de ir.

Prólogo

Não temas as cousas que tens de sofrer.
Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós,
para serdes postos à prova, e tereis tribulação de dez dias.
Sê fiel até à morte, dar-te-ei a coroa da vida.

Apocalipse 1:3