Até hoje eu me pergunto se coincidências, destino, não existe. Passava pela rua da minha casa, carregando duas sacolas de mercado com os ingredientes da macarronada que a minha mãe desejava fazer. Era incrível como as pessoas de lá pareciam envelhecer rápido, talvez fosse por grande parte das pessoas que eu via na frente de suas casas, eram as senhoras que ali moravam há anos. Eram casas simples, algumas com pinturas desgastadas, Mrs. Schemitz tinha pintado a casa no ano retrasado de rosa e, já estava desbotado. Seus jardins eram perfumados, não era por pouco, aposentadorias gordas e netos afastados, o que lhes restavam além do marido surdo, os felinos que adotavam das ruas e seu jardim? Nada. Poucos eram as famílias que tivessem filhos da minha idade ali, talvez fosse essa a razão pela rua ser calma, ou, simplesmente que os adolescentes da minha faixa de idade que moravam ali, mal ficavam parados em suas casas, saíam de manhã para o colégio e voltavam tarde da noite. O céu estava em tons azulados, os que sempre me faziam sorrir. Chegando perto de minha casa, comecei a me perguntar a quanto tempo nossos vizinhos moravam ali ao lado. Até meus três anos, ali era uma casa de madeira humilde mas bem cuidada de cor clara; poucos podiam acreditar, mas carrego em minha mente imagens, pequenas lembranças, de quando eu tinha esta idade — como a única viagem que tive na minha vida de avião — mas eram embaçadas. Raras fotos se viam um pequeno pedaço que fosse daquela casa. A cada segundo que as engrenagens da minha mente se movimentavam com a pergunta, ficava mais curiosa. Antes de correr para dentro de casa, resolvi voltar para frente da casa dos meus vizinhos. Era de concreto. Branca. Com detalhes pintados de bege. Flores nas duas janelas da frente do primeiro andar. As cortinas raramente eram abertas, a família Smith era o que muitos gostavam de dizer sobre quem morava em Londres: fechados, frios e esnobes. Apesar de que, quando pegos no flagra com alguma janela aberta, — qualquer uma da casa ou, até mesmo de um dos carros — davam-nos um sorriso e nos acenavam. No primeiro ano que chegaram, iam a algumas festinhas que as senhoras de nossa rua montavam. Mas o tempo passou e, se fecharam em seu pequeno universo. Suspirei. Meus braços teriam começado a doer de segurar as sacolas.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
CAPÍTULO 1 — Boa Vizinhança.
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